João Petry

Já percebeu que nos grandes centros urbanos, a presença dos pombos é cada vez mais frequente?

 Isso acontece porque estas aves se adaptaram muito bem à vida nas cidades. Elas encontram alimento de fácil acesso, são inteligentes, conseguem circular de dia pela cidade e voltar aos ninhos para dormir. 

Os pombos encontram nas construções de cimento e madeira mais altas, os espaços perfeitos para construir seus ninhos e procriar. Livre de ameaças e sem predadores naturais, prédios, condomínios e casas servem perfeitamente como abrigo de pombos, o que explica a grande população desses animais nas cidades.

Pombos-domésticos (columba-livia) são transmissores de zoonoses

Pombos são vetores de doenças (zoonoses como criptococose e salmonelose), e o contato com suas fezes ou urina ameaçam a saúde das pessoas. Os excrementos das aves tendem a circular pelo ar, junto com a poeira e a poluição. Portanto, se você vê pombos em grande quantidade onde mora, as chances de estar com a saúde em risco é grande. 

A Secretaria de Saúde alerta para a chamada “Doença do Pombo”, que pode levar à morte:

“A criptococose é uma doença infecciosa adquirida por aspiração dos fungos Cryptococccus neoformans e Cryptococcus gattii, que podem ser encontrados nas fezes de pombos urbanos e levar à morte dos indivíduos acometidos.

Detectado também em fezes de morcegos, em troncos de árvores e frutas secas, o fungo atinge primeiramente o pulmão, podendo infectar todo o corpo. A infectologista do Hospital Estadual de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad (HDT), unidade da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), Christiane Kobal, explica que após a inalação dos esporos desse fungo, inicialmente o pulmão é comprometido e à medida que o fungo se desenvolve, ele consegue se espalhar em outros locais do corpo. “O fungo se propaga por meio da corrente sanguínea, podendo atingir o sistema nervoso e evoluir para meningite, uma complicação grave da criptococose”, assinala.

Os sintomas da doença variam de acordo com o estado imunológico de cada pessoa, podendo ocorrer de dois dias a mais de 18 meses, sendo eles: dores de cabeça, febre, vômito, rigidez na nuca, alterações da visão, fraqueza, dor no peito, confusão mental, náusea, falta de ar, formigamento nos braços e nas pernas. Kobal ressalta que os sintomas são semelhantes a muitas outras doenças, como meningites bacterianas e virais, pneumonias ou outras doenças infecciosas febris. “É recomendado que o paciente se dirija ao pronto socorro para que seja confirmado o diagnóstico e, assim, tratado com o medicamento antifúngico. A demora no diagnóstico e tratamento pode levar o paciente ao óbito bem como ocasionar sequelas neurológicas graves”, destaca.”

Como a infecção é causada por fungos que se proliferam principalmente em fezes de aves, como as dos pombos, a infectologista alerta que o recomendado é evitar o contato com esses animais. “É orientado evitar alimentar e abrigar esses tipos de aves. Os locais onde houver o acúmulo de fezes devem ser limpos com água e cloro”, esclarece. O Ministério da Saúde também recomenda a utilização de equipamento de proteção individual, sobretudo de máscaras, na limpeza de galpões onde há criação de aves ou aglomerado de pombos.

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